Já passava das oito

4 jul

Se você foi chamado para pastorear, cuidar e caminhar junto, esse post é pra você.

(Os nomes não foram citados por privacidade)

Já passava das oito da noite e finalmente chegamos a parte da estrada que tinha asfalto. Após uma viagem de 40 minutos em meio a escuridão completa, vimos uma lâmpada, outra e outra e chegamos à cidade. Continuamos o caminho até uma rua tão íngreme que tivemos que parar o carro para subirmos a pé.

Chegando lá e pensando como ela subia aquela rua todos os dias (e com um bebê de um ano!) nos intrigou tanto que só discutíamos sobre isso enquanto aguardávamos à sua porta.

Quando a porta se abriu, ela sorriu tanto que lágrimas brotaram de seus olhos. “Não acredito que vocês chegaram!”

Então nos pediu para entrar, sentar e se desculpou pois não tinha dinheiro pra comprar a lâmpada da sala que havia queimado na semana anterior. “Tudo bem, não tem problema”, todos nós pensamos. Em poucos segundos, todos nós viramos ouvidos ambulantes, pois tudo o que ela precisava era falar. Falar, falar e falar durante mais de uma hora.

Naquele mesmo mês havia recebido ameaças de morte por ser cristã, não recebia apoio da família na criação dos filhos e seu marido a traía constantemente em suas saídas com os amigos. Ela contou até mesmo das amantes que ligavam pra sua casa afirmando que estavam se divertindo com seu cônjuge enquanto trabalhava.

Mas o que feriu nosso coração naquele dia, além dessas coisas, foi seu descontentamento sobre o seu pastor. Ela frequenta uma igreja há mais de 3 anos e o pastor a conhecia muito bem. Como passou por uma gravidez de risco (e agora está grávida novamente) não pode sair de casa para ir à igreja. Garanto que nunca conheci uma rua tão íngreme como aquela, por isso acreditei sem sombra de dúvida que sair dali seria prejudicial à sua gravidez e à sua saúde.

Seu pastor, um homem conhecido naquela cidade tão pequena e simples, não visitara aquela mulher por mais de um ano. Ela pediu à uma amiga próxima que conversasse com o pastor para que este fosse à sua casa para uma simples visita. E esse pedido foi repetido algumas vezes ano passado. Tudo que ela precisava era de uma palavra, de um culto em casa, de um ouvido para ouví-la.

O pastor enviava resposta dizendo que estava muito ocupado com seu ministério e sua igreja. Aquela mulher estava abandonada ali naquela rua, com o filho pequeno, grávida e com tantos problemas. Ninguém para ouvi-la. O que nos encorajou foi que em várias partes do seu discurso ela dizia que sua força vinha do Senhor e que “Deus sofreu por mim e se eu tiver de sofrer por ele, tudo bem”. Rapidamente abraçou meu pai e disse “Tive que esperar meu pastor do Rio de Janeiro vir me visitar e eu sabia que o senhor viria. Obrigada, pastor”.

Ela havia sido tão bem plantada no Evangelho que os ventos e a tempestade não conseguiam virar seu barco.

E quanto a atitude do pastor?

Acho prudente pegarmos exemplos como esse para refletirmos sobre a responsabilidade de cuidar de vidas.

“Ai dos pastores que só cuidam de si mesmos! Acaso não deveriam cuidar do rebanho? Vocês não fortaleceram a fraca, nem curaram a doente, nem enfaixaram a ferida. Vocês não trouxeram de volta as desviadas nem procuraram as perdidas. Estou contra esses pastores. Tirarei deles a função de apascentar o rebanho. Procurarei as perdidas, enfaixarei a ferida e fortalecerei a fraca, mas a rebelde e forte, destruirei.”
Ez 34

Se der, volte e leia de novo essa passagem bíblica. Essas acusações são muito sérias. Como saber se você se encaixa na palavra PASTOR? Pastor é aquele que cuida de vidas, que é chamado pra fortalecer a fraca, curar a doente, enfaixar a ferida. Pastor não é somente aquele cara que prega na sua igreja. Pastor é um dos 5 ministérios descritos em Efésios 4. Pastor é aquele cara que tem paciência pra ouvir e ouvir. Persistência com aqueles que não possuem tanta força pra caminhar. Pastorear é discipular.

Agora, não estou aqui pra julgar aquele pastor. Trouxe esse exemplo apenas para falarmos dessa situação à luz das Escrituras. Aqueles que são chamados pra cuidar e não cuidam, Deus mesmo as julgará (e destruirá). Se Deus te chama para ligar para alguém e você diz que está ocupado demais, se você vê um amigo seu na rua se afundando em uma vida que não vale a pena pensa: Ah, o pastor dele que o procure! Cuidado. Deus nos usa nas pequenas coisas. Se ele te chamou pra ser pastor, pastoreie no seu dia a dia. E se você tem tido um ótimo relacionamento vertical (você e Deus apenas), você tem engordado e engordado sem dar desse conteúdo pra ninguém. Esse tipo de ovelha Deus diz que também será destruída. Meu pai diz que esse tipo de ovelha uma hora sofre de “infarto espiritual”. Então, querido…

* Busque o Senhor para que você possa dar aquilo que Deus tem te dado. Ele é nossa fonte. Nunca conseguimos nada por nossas próprias forças. Peça ao Espírito Santo a sensibilidade para você poder ajudar quem está clamando por ajuda.

* Seja paciente. Certas pessoas precisam de anos até que decidem entregar-se ao tratar de Jesus. Não desista.

* Não subestime uma visita, uma ligação, um encontro.

* Se você conhece ministérios que tem deixado suas ovelhas e só cuidado de si mesmos, ORE POR ELES!!!

* Procure aqueles seus amigos que um dia estiveram com você e não estão mais. De repente eles só precisam de uma ligação sua para voltarem aos braços do Pai ou para permanecerem na caminhada.

Que sejamos pastores que refletem o cuidado de Cristo por nós,

Dani 

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Uma resposta to “Já passava das oito”

  1. Dai julho 4, 2011 às 11:24 pm #

    Quantas vezes não somos nós nos perguntando: “será que essa pessoa vale tanto esforço”? Imagine se tivessem pensado isso de nós…
    Jesus não desistiu, e estou cada vez mais convencida de que é para Ele que devemos olhar ao estender a mão para a “fraca”, a “doente”, e, porque não, para o ladrão, o assassino, o estuprador…Ou será que somos melhores do que o nosso bom pastor?

    “Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.” (Mat. 9 :12,13).

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