Arquivo | dezembro, 2011

O ano sem respostas

29 dez

O texto que você está prestes a ler não se parece nada com um conto de fadas… Mas mesmo assim, existe um Rei cuidando de uma princesa. Fique à vontade se quiser comentar. Boa leitura!

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De início achei que o problema estava na adaptação pós CTMDT. Depois achei que estava comigo. Depois achei que estava na igreja. Depois achei que era da falta de amigos. Depois, depois, depois…

O ano de 2011 foi um ano muito complicado. Semana passada, em uma reunião com amigos íntimos da nossa família, expus que em 2011, eu tinha ganho tantas coisas nas áreas palpáveis (material, financeira), mas pouquíssimo onde não podia enxergar.

Quanto mais eu buscava o Senhor, menos tinha respostas. Quanto mais eu tentava ouvi-lo, mais os meus ouvidos eram tapados. Já aconteceu isso com você?

Se eu pudesse contar pra vocês o que aconteceu conosco nesse ano, muitos ficariam de boca aberta, mas não poderia fazer isso. Além de ser antiético, creio que acima dos nossos sofrimentos e lutas, NUNCA devemos expor ninguém, porque todos fazem parte da mesma família e estão suscetíveis aos mesmos erros. Muitos que nos viram escrevendo coisas profundas e reflexivas no Twitter, mal sabiam que por trás daquelas palavras estava nossa história.

Nossos amigos mais próximos ficaram sabendo de toda “a novela” que nos envolveu do meio do ano pra cá e quero agradecer a estes (que sei que estão lendo!), que nos ouviram, aconselharam e oraram por nós. Que seria de nós sem vocês?

Também não posso deixar de citar um dos melhores presentes que já tive. Pude conviver com a pessoa mais incrível que Deus me deu de presente. A companhia do Kleberson muitas vezes me animou, me ajudou a caminhar a segunda milha e a não desistir. Amo vc! Agradeço muito a Deus por eu ter escolhido tão bem! (Não ter escolhido bem poderia me garantir um pesadelo na vida real. Anotaram, meninas?)

Nos tempos difíceis, você pode provar o significado da verdadeira amizade e isso não tem preço. Como eu disse, presentes “palpáveis” não faltaram pra gente ao decorrer de 2011. Inclusive ter ido bem no vestibular! O que explica bastante a minha ausência por aqui.

Esse ano, aprendi que mesmo quando Deus não nos dá respostas, Ele continua nos amando. Aliás, a ausência de respostas já é uma expressão de amor. Abri o livro de Jó infinitas vezes e vi seu sofrimento, me identifiquei, falamos juntos em alta voz “Que esperança posso ter, se já não tenho forças? Como posso ter paciência, se não tenho futuro?”. Ouvir suas histórias de sofrimentos sem fim nos rendeu uma bela amizade!
Por tantas vezes caminhei com Jeremias e ouvi suas Lamentações. Junto com ele tentava lembrar daquilo que me dava esperança.  Se Deus escolheu esses homens para estarem no manual supremo da vida, eles têm muito a nos ensinar. Inclusive que nesta vida teremos aflições!

“Você tem mesmo desejo pela minha presença? Até onde você me busca sem respostas?” Essas frases marcaram o meu ano de 2011. Às vezes Deus deixa de nos responder para ver até onde iremos buscá-lo.

Buscar a Deus pelo o que Ele é, mesmo que Ele escolha ficar em silêncio.

Não, eu não tenho uma super resposta miraculosa pra compartilhar. Dizer que Deus me deu um sonho ou um direcionamento. Nada disso aconteceu. Continuo orando, buscando e O amando mais do que nunca. Acho que cavei tanto que cheguei “na rocha”, onde os ventos já não me jogam de um lado pro outro.

Algumas noites – horário que eu faço meu devocional -, eu me desesperava porque não conseguia ouvir a Deus como  antes… Então abria a Bíblia e não sabia o que ler. Nesses meses, aprendi a ler trechos mesmo sem vontade. A cantar com o coração doendo. Aos poucos, percebi que me lembrava muito mais da Bíblia porque passava minutos ou horas racionalmente lendo e não chorando o tempo todo dizendo o quanto amava a Deus. Dá pra compreender a diferença? As duas práticas são necessárias para a nossa caminhada e crescimento.

Alguns finais de semana me batia uma extrema falta de certos amigos, de um papo aberto com pessoas com as mesmas idéias, e até entrar nas redes sociais me entristecia. Nesses meses, aprendi a ter a amizade de Deus. Me abrir até nas situações mais simples e inusitadas, como um “queria tanto chegar na hora, faz o professor se atrasar”. Redescobri Deus como o amigo mais incrível e detalhista que existe. Descobri que Deus usa o silêncio pra nos moldar em uma velocidade bem maior. No silêncio, se debater não adianta de nada. No início a reação é sempre essa, né? “Como o Senhor pode me tratar assim?”, “DEEEEEEEEUS, onde estás?”. Assim como um bebê que não consegue o que quer. Depois vamos nos acostumando com “o som do silêncio” …e esperar se torna algo que no futuro nos fará dizer “valeu a pena”. A espera se torna esperança. No final do ano que vem, quero poder dizer aqui “valeu a pena”. E com Deus, já está valendo… Mesmo sem respostas.

E A PACIÊNCIA A EXPERIÊNCIA, E A EXPERIÊNCIA A ESPERANÇA. ROMANOS 5:4

Feliz 2012!

Dani